Este artigo tem como objetivo abordar o enfretamento da expressão da questão social, denominada doença Alcoolismo e suas conseqüências para o sujeito no contexto social. Procura realizar uma leitura a partir da visão do Serviço Social, como possibilidade de enfrentamento da demanda no âmbito das instituições sociais.
Palavras-chave: Serviço Social, Alcoolismo, questão social.
Vailson Mucuta
* Graduando do curso de Serviço Social
Universidade Norte do Paraná- UNOPAR
1. INTRODUÇÃO
O estudo objetiva apresentar através de pesquisa bibliográfica, no âmbito do Serviço Social, reflexão sobre a expressão da questão social Alcoolismo, tida como doença pela Organização Mundial de Saúde e que vem assumindo um papel representativo na vida do sujeito, no contexto familiar e social. Este é um ponto importante a ser abordado pelo Serviço Social, haja vista que é também objeto de estudo do mesmo na dinâmica social, bem como a sua forma de enfretamento na sociedade. O serviço Social pode apontar caminhos para que haja uma mobilização dos atores sociais em investir na prevenção e no tratamento da doença do alcoolismo nas instituições. É um tema que merece ser abordado, pois vai de encontro com os direitos humanos e da cidadania.
2. Alcoolismo e Serviço Social na contemporaneidade
2.1 - O alcoolismo como uma questão do sujeito para o Serviço Social
A história do uso do álcool na sociedade ocorreu em todas as culturas desde antiguidade. Nota-se uma maior intensidade do uso do álcool a partir do século XIX que pode estar relacionada às grandes transformações econômicas, políticas e sociais. O alcoolismo surge como uma das expressões da questão social no Brasil e problema de saúde pública, na modernidade, uma vez que o uso desregrado do álcool tem se justificado como uma saída para aliviar os problemas pessoais e familiares. Galvão e Abuchaim (2001) nomeam substância química aquele que modifica o estado psicológico do sujeito e trazem como conseqüências sérios riscos para a saúde, complicações na esfera familiar e social. De acordo com Galvão e Abuchaim (2001) substâncias psicoativas são àquelas que quando administradas, altera o estado de humor, a percepção do sujeito, sendo estas licitas ou ilícitas. Entretanto, não é fácil definir com exatidão o uso do álcool no contexto social, mas o mesmo tem assumido um papel progressivo no discurso do usuário, na sua vida cotidiana e no seu meio social, apresentando os problemas no contexto familiar, social, jurídico, econômicos, físico etc... Ainda com Galvão e Abuchaim (2001), constitui dependência química quando o abuso de drogas e o uso ultrapassam qualquer padrão social ou padrões médicos e que reflete na compulsão para usar a droga. É justamente no contexto das relações do sujeito dependente químico que pode o Serviço Social ser chamado a intervir buscando a emancipação humana no contexto social. Na contemporaneidade se acentua as expressões da questão social, objeto de estudo do Serviço Social que tem como dever de compreender e minimizar as expressões sociais a partir de um olhar crítico da problemática. O alcoolismo é tido como uma manifestação expressa da questão social na sociedade. Quando se diz de uma questão do sujeito para o Serviço Social subentende obter uma visão do sujeito como biopsicossocial.
2.2 – Alcoolismo como expressão da questão social.
Assim, para além dos efeitos comportamentais da doença do Alcoolismo, classificada pela Organização Mundial de Saúde, existe a expressão da questão social que se arrasta desde década de 30 com as grandes revoluções industriais. As transformações econômicas, políticas e sociais, ocorreram de forma violenta, levando homem emigrar do contexto rural para o urbano para atender a demanda de mão-de-obra capitalista. Acentua-se a partir deste período a questão social no Brasil e no Mundo. Surgem os aglomerados urbanos, a falta de saneamento básico, as doenças contagiosas, o trabalho infantil e o alcoolismo entre outros. Nesta mesma década o Serviço Social atendia uma demanda capitalista uma vez que trouxeram uma forma de trabalho fundamentada na Europa e que não se sustentava a demanda do trabalhador brasileiro. O contrato de trabalho do assistente social nas indústrias servia como controle da classe trabalhadora. A atuação do assistente social ainda baseava-se nos moldes da caridade. Logo após por não poder mais se sustentar a pressão da classe trabalhadora e o sistema capitalista surgem um novo olhar baseado no compromisso ético e político do serviço social. O serviço social reconceitua-se (Araxá) e se torna uma profissão legalizada. Foram criados os órgãos responsáveis pela fiscalização, legalização e orientação CRESS e CFESS. A partir daí surge o profissional capaz de fazer a leitura da realidade, fundamentada em valores éticos, políticos e comprometida com a condição humana. A contextualização histórica do fazer do assistente social serve para compreender como se deu o enfretamento da questão social e suas variadas expressões na sociedade, sendo objeto de trabalho do assistente social no seu cotidiano nas instituições. Quando o dependente químico vive o conflito familiar, sofre a estigmatização no contexto social, perde-se o desejo de se sustentar enquanto sujeito de direito e fica a margem da sociedade, sem trabalho, sem família e sem significação, o mesmo se despersonaliza. Perde-se a identidade e condição de dignidade legitimada pela Constituição Federal de 1988. Apresenta-se então, a expressão da questão social com Iamamoto (1997, p. 14):
“Os assistentes sociais trabalham com a questão social nas suas mais variadas expressões quotidianas, tais como os indivíduos as experimentam no trabalho, na família, na área habitacional, na saúde, na assistência social pública, etc. Questão social que sendo desigualdade é também rebeldia, por envolver sujeitos que vivenciam as desigualdades e a ela resistem, se opõem. É nesta tensão entre produção da desigualdade e produção da rebeldia e da resistência, que trabalham os assistentes sociais, situados nesse terreno movido por interesses sociais distintos, aos quais não é possível abstrair ou deles fugir porque tecem a vida em sociedade. [...] ... a questão social, cujas múltiplas expressões são o objeto do trabalho cotidiano do assistente social”.
Neste sentindo justifica-se olhar para o alcoolismo como expressão da questão social que está no cotidiano do fazer profissional, na sociedade, na família e no sujeito. No ambiente familiar, aonde pode ocorrer a fragilização dos vínculos familiares, situação de vulnerabilidade social e econômica, somados a conflitos emocionais que abala a convivência. No âmbito particular o sujeito pode vir a ser alcoolista devido a um conjunto de fatores, incluindo predisposição genética, estrutura psíquica, influências familiares e culturais.
3 - Mobilizações como forma de enfrentamento do Alcoolismo nas instituições sociais
No entanto, notam-se na atualidade poucas intervenções das políticas publicas no âmbito do alcoolismo. O alcoolismo pode ser considerado o mal do século. As ações e intervenções para esse público são feitas pelas Organizações Não-Governamentais (ONGS) em regime de internato e emergenciais pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No terceiro setor percebe-se uma carência de profissionais assistentes sociais nas instituições que venha contribuir de forma efetiva com esse público. A mobilização é uma ferramenta eficaz na prevenção e combate ao alcoolismo. É preciso mobilizar os setores públicos e privados, família e sociedade para discutir ações direcionadas aos sujeitos que são acometidos pela doença do alcoolismo e daqueles que tem uma predisposição à doença. O alcoolismo é uma expressão da questão social, é uma questão para o Serviço Social, que necessita envolver demais atores sociais para sensibilizá-los na busca por melhores condições de vida, de dignidade humana. É preciso prevalecer e reconhecer o direito deste cidadão.
4 - Ações que o Serviço Social pode fomentar no âmbito do Alcoolismo na instituição
De acordo com o Projeto Ético-Político do Serviço Social que orienta o fazer do profissional assistente social no enfrentamento das expressões da questão social, aqui referenciado o alcoolismo e as atribuições do assistente social em conformidade com o Código de Ética do Assistente Social designam como atribuições do Assistente Social regulamentado pela Lei 8.662/93, nos artigos 4º e 5:
- Elaborar, implementar, executar e avaliar políticas sociais junto à órgãos da administração pública direta ou indireta, empresas, entidades e organizações populares;
- Elaborar, coordenar, executar e avaliar planos, programas e projetos que sejam de âmbito de atuação do Serviço Social com participação da sociedade civil;
- Encaminhar providências e prestar orientação social a indivíduos, grupos e à população;
- Orientar indivíduos e grupos de diferentes segmentos sociais no sentido de identificar recursos e de fazer uso dos mesmos no atendimento e na defesa de seus direitos;
- Planejar, organizar e administrar benefícios e serviços sociais;
- Planejar, executar e avaliar pesquisas que possam contribuir para a análise da realidade social e para subsidiar ações profissionais;
- Prestar assessoria e consultoria a órgãos da administração pública direta, indireta, empresas privadas e outras entidades;
- Prestar assessoria e apoio aos movimentos sociais em matéria relacionada às políticas sociais, no exercício e na defesa dos direitos civis, políticos e sociais da coletividade;
- Planejamento, organização e administração de Serviço Social e de Unidade de Serviço Social;
- Realizar estudos sócio-econômicos com os usuários para fins de benefícios e serviços sociais junto a órgãos da administração pública direta e indireta, empresas privadas e outras entidades.
É importante ressaltar, que as atribuições citadas acima, servem como norteadora para atuação do assistente social no âmbito do alcoolismo e nas instituições como planejar, elabora, executar programas e projetos de acordo com demanda e público atendido. Fomentar ações que vão de encontro com promoção do sujeito e direito à cidadania.
É importante ressaltar, que as atribuições citadas acima, servem como norteadora para atuação do assistente social no âmbito do alcoolismo e nas instituições como planejar, elabora, executar programas e projetos de acordo com demanda e público atendido. Fomentar ações que vão de encontro com promoção do sujeito e direito à cidadania.
5 – Considerações finais a cerca da problemática Alcoolismo:
Considerar o alcoolismo como uma expressão da questão social, entretanto o uso álcool é aceitável socialmente em muitas culturas desde a antiguidade. Os estudos atualizados mostram de forma clara os males do álcool para o sujeito na esfera particular, social e econômica, mas esbarra quando busca a forma de enfretamento dessa demanda no contexto social. Há falta de políticas públicas para atender a demanda do alcoolismo no contexto social e particular, ficando por parte das ONGS o enfretamento. Os trabalhos desenvolvidos nas instituições permitiram perceber a falta de profissionais no terceiro setor capaz de fomentar ações voltadas para o público em questão. As instituições necessitam de orientações para elaborar programas e projetos que promova e a emancipação do sujeito na sociedade. São sujeitos que carregam consigo o desprezo, os estigmas e perda de identidade, o que é pior sem a possibilidade de outras identificações. É preciso pensar nos direitos humanos no que se refere à dignidade, o trabalho, à saúde, habitação, liberdade de ir e vir , consolidado pela Constituição Federal de 1988.
A questão social, objeto de estudo e trabalho do assistente social, a expressão da questão social alcoolismo merece ser pesando como direito desse sujeito de sobreviver com dignidade no contexto social que o exclui e segrega. Vive-se um tempo de inclusão e não exclusão do sujeito na sociedade, na família independente do sexo, cor ou condição social. É preciso mobilizar a sociedade a participar no enfrentamento da doença do alcoolismo.
Cabe ao Serviço Social, orientar as políticas públicas, elaborar programas e projetos que venha atender a demanda do sujeito no âmbito particular e coletivo. Tais ações devem estar pautadas na promoção do sujeito no contexto social, familiar e no trabalho, seja informal ou formal.
6- REFRÊNCIAS BIBLIOGRÀFICAS
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GOES, Adarly Rosana Moreira. Fundamentos Históricos, Teórcos e Metodologícos do Serviço Social II: Graduação em serviço Social. Módulo 2. Londrina: UNOPAR, 2007.
IAMAMOTO, M. V. O Serviço Social na Contemporaneidade: Trabalho e Formação Profissional. São Paulo: Cortez, 1999.
IAMAMOTO, Marilda Vilela. O Serviço Social na contemporaneidade: dimensões históricas, teóricas e ético-políticas. Fortaleza, CRESS –CE, Debate n. 6, 1997
JÚNIOR, M. F. Saúde no Trabalho. São Paulo: Roca, 2000.
LEITE, Ângela. Álcool e Trabalho. São Paulo: NCA, 2003.
MADJAROF, Rosana. Sociedade: A Grande Massa Falida. Disponível em: http://www.mundodosfilosofos.com.br/rosana15.htm. Acesso em: 14 de setembro de 2008.
MOREIRA, Heriveltto; CALLEFE, Luiz Gonzaga. Metodologia de Pesquisa para o Professor Pesquisador. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.
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ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE-OMS. Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamentos da CID-10. Artes Médicas, Porto Alegre, 1993.
Projeto Pedagógico do Curso de Serviço Social - UNOPAR
SESANA, Irene. Alcoolismo e Condutas de Alcoolização no Ambiente de Trabalho. Brasília: UNB, 2005.

bom dia, obrigado pela sua contribuição. estou trabalhando no meu TCC com o mesmo tema, sw puder ajudar fico muito grato. e-mail-ginaciodasilva380@gmail.com
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